CD
TERRA
ANA
DINIZ
“Corre em mim a cultura de um povo, dos
ancestrais as cantadeiras, do quintal para o universal, com os pés
enfiados na terra e os braços abertos pro céu em gratidão para amar
o destino seja qual seja e sempre, pra tocar e cantar um sentimento
profundo, pra cultivar um jardim florido cheiinho de
borboletas.”
Ana
Diniz
Rio de Janeiro, maio de
2010
Estamos num momento de
grande transformação planetária, me pergunto qual o meu papel neste
momento e só ouço a resposta: cantar, cantar e cantar.
Estando ligada ao céu, a
terra e aos irmãos, levando as mensagens que me foram enviadas, da
melhor forma que puder, que leve a paz, o amor e a luz, que possa
alegrar os corações, Juntos Somos Um.Gratidão.
Minha
História
Depois de muitas
andanças pelo Recife, em Pernambuco onde nasci e sempre morei,
agora me aventuro pelo Rio de janeiro, em Recife o encontro com os
mestres e as colegas pesquisadoras da cultura foram essenciais, o
encontro com o Balé Popular do Recife foi a faísca, passando por
muitos grupos de teatro, dança, música, pela universidade e pelas
festas do povo. Hoje repasso tudo que aprendi da minha maneira com
inspiração divina e informações dos estudos que fiz nestes 21 anos
envolvida com arte, de preferência tudo misturado, pois acredito
que tudo é uma coisa só e só tem sentido se toca a nossa
alma.
Este cd é como o amanhecer do dia
num jardim cheiiinho de borboletas
lá no
sertão do pajeú,
a mamãe oxum
vem pra perto de mim
com água da
fonte e flores do canavial
pra germinar sementes de amor.
Eu vou cantando a paz para o curumim cochilar,
porque onde eu canto
um galo canta
e vejo a estrela
brilhar.
Como um beija-flor vou
sentindo o doce do mundo,
ando sobre o
mar,
sobre a terra
tupi guarani
pra te cantar,
cantar o amor
nesta cidade
grande.
O
CONCEITO
A
diversidade rítmica do cd revela parte da riqueza cultural de
Pernambuco e vizinhança, sendo este o conceito
pretendido.
SER,
DIVERSO,
DE
VÁRIOS UNIVERSOS,
QUE
COMPÕEM O UNIVERSO,
NO VERSO.
Com
o boi, que não é de Pernambuco, mas do Maranhão, no sotaque da
baixada, do boi de Pindaré, AMANHECEU O DIA,.
Com
os cocos BORBOLETA e ÁGUA DA FONTE ,
com
o xote NO SERTÃO DO PAJEÚ, e o baião BEIJA-FLOR ,
com
o afoxé,o toque pra Oxum, MAMÃE OXUM,
com a influência indígena
em FLORES NO
CANAVIAL ,
com
o frevo SEMENTES DE AMOR,
com
o caboclinho CURUMIM,
com
o maracatu A ESTRELA VAI BRILHAR em homenagem aos maracatus,
especialmente ao Estrela Brilhante do Recife e o Estrela Brilhante
de Igarassu com seu toque, ou baque
característico.
E a
ciranda quase instrumental PRA TE CANTAR,
Além das fusões de ritmos, invenções e
inspirações ancestrais e universais ONDE EU CANTO UM GALO CANTA,
ANDO, TERRA TUPI GUARANI e CIDADE GRANDE.
Para os que não fazem idéia do
que eu estou falando faço alguns
esclarecimentos sobre que danado de rítmos são
estes:
Boi do Maranhão
e Sotaque da baixada
Bumba-meu-boi,
boi-bumbá ou
pavulagem é uma
dança do folclore popular brasileiro, com personagens humanos e
animais fantásticos, que gira em torno da morte e ressurreição de
um boi. Hoje em dia é muito popular e conhecida.
Os grupos de Boi do Maranhão estão classificados
em sotaques (estilos, formas, expressões, "feitios" e maneiras),
segundo características peculiares das diversas regiões do Estado
onde surgiram, fazendo realçar indumentárias, instrumentos, ritmos,
coreografias, personagens e temas diferenciados.
SOTAQUE DA BAIXADA
De toque mais leve e suave, com pandeiros e matracas, possui no
vestuário, ricos ornamentos, realçando exuberantes e enormes
chapéus de fitas com testeiras bordadas de canutilhos em chuvisco e
penas de ema nas pontas. Dentre seus personagens, destaca-se
o
cazumbá – exclusivo desse sotaque - numa
alusão mágica a um ser místico (meio homem, meio bicho)
representado com máscaras características, bata e chocalho na mão.
Evolui em coreografia única, com requebros evidenciados pelo cofo
que esconde atado na cintura. Há variações entre grupos dos
municípios de Pindaré, São João Batista, Viana e os grupos da
Baixada radicados em São Luís.
Fonte :
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bumba_meu_boi
UM POUCO SOBRE O SOTAQUE DA BAIXADA NO BOI DO
MARANHÃO POR JULIANA MANHÃES.
...Possuem instrumentos como o badalo ou
chocalho, uma espécie de sino, de alarme, que anuncia a chegada dos
cazumbas. Pandeirões menores, cobertos com couro de animais e
aquecidos no fogo para afinação; maracás de alumínio menores,
tambor-onça (parecido com a cuíca do samba); e o instrumento mais
popular, as pequenas matracas, e o apito do amo cantador ou dos
amos, aqueles que puxam as músicas e comandam a
cantoria.
Os personagens do boi se dividem entre os
dançarinos, tocadores, cantadores e algumas figuras mascaradas.
Organizam-se com a formação de uma roda ou cordão, em filas. Os
personagens do boi de sotaque da baixada, tanto no interior quanto
na capital são: índias, caciques, baiantes cantadores, batuqueiros
percussionistas, o amo, a burrinha, a onça, o vaqueiro, o pajé e/ou
doutor, os encaretados Pai Francisco ou Negro Chico, Catirina,
cazumbas, as mutucas e a figura central que é o boi. No interior
encontramos diversas figuras de animais como o carneiro e o urubu;
Micaela, uma boneca gigante feita de cabaça que representa a esposa
do patrão ou amo; além da Maria – carregadeira do Santo, uma
mulher vestida toda de branco que fica segurando um quadro com a
imagem de São João, como uma homenagem ou pedindo
licença.
(MANHÃES, Juliana
Bittencourt. Memórias de um corpo brincante: A brincadeira do
cazumba no bumba-boi maranhense. Dissertação de Mestrado
em
Teatro na UNIRIO,
2009.)
Cultura
Popular de Pernambuco
Por
Michelle de
Assumpção.
Jornalista e
crítica musical do DIARIO DE PERNAMBUCO
O
estado de Pernambuco é celeiro de um grande número de manifestações
da cultura popular. Elas convivem entre o fazer espontâneo e o
espetáculo pronto para consumo. Entre o esforço pela permanência de
tradições herdadas dos antepassados e a abertura aos novos tempos.
Originárias de festas de fé e de trabalho, compõem um cenário
diverso o suficiente para confundir turistas desavisados que chegam
ao estado na época de sua principal safra: o carnaval. É nesta
celebração coletiva e democrática que vemos e ouvimos pulsar todos
estes ritmos, cores e tradições que consagram Pernambuco como um
dos territórios nacionais de maior riqueza musical. Frevo, forró,
maracatu de baque virado e de baque solto, caboclinho, coco,
ciranda, cavalo-marinho, bumba meu boi, afoxé, emboladas e repentes
estão presentes há mais de século nas festividades religiosas e
profanas de diversas comunidades, centrais e periféricas.
Ao lado do frevo, o maracatu configura-se como a manifestação mais
emblemática de Pernambuco. Até a primeira metade do século XIX os
cortejos dos reis negros – de onde se origina o maracatu -
não faziam parte do Carnaval, só desfilavam pelas ruas por ocasião
de suas festas religiosas ou ainda quando do embarque de africanos
libertos de volta para a África. Na segunda metade deste século é
que começam os registros da presença do Rei de Congo nos festejos
de Momo, junto com outras manifestações populares, como o bumba meu
boi e o fandango. Hoje, a
formação padrão de um grupo de maracatu Nação inclui apenas
instrumentos de percussão: vários tambores grandes (alfaias),
caixas e taróis, ganzás e gonguê (metalofone de uma ou duas
campânulas, percutidas por uma vareta de metal), cuja quantidade
varia de acordo com as condições de cada grupo. Os batuqueiros e
demais percussionistas seguem o comando do mestre de toadas. Este
"puxa" as loas, que são respondidas pelo coro, formado pelos
próprios músicos e também pelos demais personagens do cortejo do
maracatu: rei e rainha, baianas, caboclos de pena e demais
dançarinos. O maracatu Nação é também chamado
maracatu de baque virado, a denominação evidencia a função dos
tambores nesta trama, que “viram” a cada comando do
mestre para executar novas cadências de batidas.
O
coco de roda pode-se dizer que tem origem no encontro de índios que
foram habitar o interior do estado, em regiões do agreste e até
sertão, com os negros fugidos do trabalho escravo nas capitais. Daí
se espalha para adquirir peculiaridades em cada um dos cantos onde
passou a ser feito.Dentre todas as manifestações populares, o coco
é a brincadeira mais fácil de ser executada pela simplicidade de
sua estrutura, quatro pessoas, três percussionistas e um cantor, já
promovem a brincadeira. Usando apenas
o trio básico do coco de roda: pandeiro, bombo e ganzá. O bombo faz
a marcação principal, enquanto que o pandeiro e o ganzá preenchem
os demais espaços da música. Os tocadores, cantores ou bailarinos
(se houver) também acrescentam à marcação a batida dos próprios pés
no chão. O cantor, enquanto isso, embala o ritmo com canções
melodiosas, de conteúdo jocoso, sarcástico, de duplo sentido, ),
romântico, social, etc. No sertão de Pernambuco, em Arcoverde, os
grupos de coco fazem sua principal marcação com tamancos de madeira
utilizados pelos seus dançarinos. É por isso chamado coco de trupé
(que vem de tropel) ou samba de coco.
Com a ciranda
também é assim, o ritmo quaternário é lento e tem seu compasso bem
marcado por uma pancada forte da zabumba (ou bumbo). Esta recebe o
acompanhamento do tarol e do ganzá. É comum também a presença de um
metal, geralmente saxofone, que segue a linha melódica do canto da
ciranda.
Na composição
do cancioneiro popular pernambucano também é marcante a presença
dos toques do candomblé, que foram para as ruas e palcos
representados pelos afoxés. A popularização desta cultura como
gênero musical, pelo menos em Pernambuco, deu-se apenas dos anos
2000 para cá. São três tambores de tamanho pequeno, médio e grande,
que marcam o ritmo e a cadência dos cânticos. O maior se chama rum,
(grave) o médio rumpi, e pequeno, lê (agudo). O balanço sincopado
dos xequerês (cabaças envolvidas numa rede de miçangas) fornecem
malemolência à rudeza dos toques dos atabaques e embalam seus
dançarinos, que evoluem em passos retirados das danças para os
orixás.
Caboclinhos,
Frevo, Forró e Música Indígena
As
tribos de Caboclinhos se apresentam com rei (cacique), rainha
(cacica), capitão, tenente, guia, contra-guia, perós ou
indiozinhos, porta-estandartes, caboclinhos, caboclinhas, pajé,
caboclinhos caçadores, princesas e curandeiro. A orquestra é
formada pelos seguintes instrumentos: gaita ou flautim (de taquara,
também chamado inúbia), caracaxás ou mineiros, tarol e surdo.
Musicalmente, mantém forte ligação com os cultos de origem
indígenas e é possível reconhecer elementos orientais (indu,
chinês, árabe, ameríndio, incaico), sem nenhuma referência
européia, presente na maioria dos outros folguedos. Sempre vestidos
de tangas e cocar de penas de aves (ema, avestruz e pavão), os
caboclinhos usam ainda uma variedade de adereços, tais como:
pulseiras, braçadeiras em pena (caboclos), colares de contas e
sementes (no pescoço), pequenas cabaças (na cintura), flechas
grandes (para moças) preacas, que consistem em arcos com flechas
retesadas, presas, que puxadas, produzem um estalido seco, marcando
o ritmo.
O frevo é um ritmo
musical
e uma dança
brasileiros
com origens no estado de Pernambuco,
misturando marcha,
maxixe
e elementos da capoeira.
Surgido na cidade do Recife
no fim do século
XIX, o frevo caracteriza-se pelo ritmo extremamente
acelerado. Muito executado durante o carnaval,
eram comuns conflitos entre blocos de frevo, em que
capoeiristas saíam à frente dos seus blocos para
intimidar blocos rivais e proteger seu estandarte. Pode-se afirmar
que o frevo é uma criação de compositores de música ligeira, feita
para o carnaval. Os músicos pensavam em dar ao povo mais animação
nos folguedos. No decorrer do tempo, a música ganhou
características próprias acompanhadas por um bailado inconfundível
de passos soltos e acrobáticos.
O forró, assim
como o samba, possuem as mesmas raízes, ou seja, ambos se
originaram da mistura de influências africanas e européias. "Na
música nordestina, um toque indígena, uma pitada européia, um
tempero africano; é só degustar..." já citava um dos especialistas
no assunto.O batuque - dança de roda com que os africanos mostravam
a sua cultura - foi o tronco principal no que diz respeito à
formação da música popular no Brasil. Dele surgiram diversas
variações que se espalharam tanto em áreas urbanas quanto rurais
sob vários nomes e estilos próprios conforme a região do
país.
O baião: sua
origem remonta ao século XIX, no nordeste do país, mas faltam
informações precisas para esse início. Segundo alguns, a palavra
vem de " baiano". O baião veio do lundu e era dançado em roda; um
dos presentes intimava os outros a dançar por meio de umbigadas e
toques de castanholas. O baião apresenta diferenças regionais e de
época. Existe o baião de Pernambuco, que é o tradicional, tocado
com sanfona, triângulo e zabumba,
O xote: ritmo de origem européia que surgiu dos salões
aristocráticos da época da Regência - final do séc XIX. Conhecido
originalmente com o nome schottisch, dominou no período do Segundo
Reinado incorporando-se depois às funções populares urbanas,
passando a ficar conhecido como chótis e finalmente xote. Saiu dos
salões urbanos para incorporar-se às regiões rurais, onde muitas
vezes aparece com outras denominações.
A música indígena
brasileira é parte do vasto universo cultural dos vários
povos
indígenas que habitaram e habitam o Brasil.
Sendo uma das atividades culturais mais importantes na socialização
das tribos,
a música dos índios brasileiros é polimorfa e de enorme variedade.A
maioria dos povos indígenas associa sua música ao universo
transcendente e mágico, sendo empregada em todos os rituais
religiosos. A música indígena é ligada desde suas origens
imemoriais a mitos
fundadores e usada com finalidades de socialização,
culto,
ligação com os ancestrais, exorcismo,
magia
e cura. É importante também nos ritos catárticos,
quando a música "ao trabalhar com proporções, repetições e
variações, instaura o conflito ao mesmo tempo em que o mantém sob
controle.".A voz e o
canto
são dominantes na música indígena, mas existe um muito variado
instrumental de apoio e séries de peças orquestrais .Nos grandes
ciclos dançados voz e instrumentos adquirem igual importância, e
por fim, como ápice da vocalidade, os cantos de guerra são
executados a
capella.Seu instrumental inclui
instrumentos de percussão e sopro,
mas classificações próprias dos índios fazem distinções diferentes,
com dezenas de categorias para "coisas de fazer música". Os
instrumentos podem ser feitos de uma variedade de materiais, como
sementes, madeiras, fibras, pedras, objetos cerâmicos, ovos, ossos,
chifres e cascos de animais.
Fontes:
http://www.viagemdeferias.com/recife/cultura/caboclinho.php,
http://pt.wikipedia.org/wiki/Frevo,
http://www.mvirtual.com.br/pedagogia/mosaico/cultura_forro.htm,
http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsica_ind%C3%ADgena_brasileira.
ENCONTRO COM OS MESTRES por Ana Diniz
A grande oportunidade de me encontrar com os
mestres inspirou meu trabalho, sinto na alma a força dos seus
cantos.
Quando fui a Igarassu e conheci Olga e seu Acorda Povo;
quando fui a Garanhuns no Boi da Macuca e conheci o Coco
Raízes de Arcoverde e anos depois tive a chance de conviver com
eles; quando fui a festa de São Pedro em Xambá e conheci
Candieiro; ao trabalhar com Zé Neguinho; ao conviver sendo
integrante da Nação Estrela Brilhante por 12 anos,com a rainha
Marivalda e Mestre Valter,viajando pela europa; ao conhecer
Dona Duda da ciranda e seu Zé Duda do Cavalo Marinho;
ao chegar no terreiro do Estrela de Ouro em Chã de Camará;
ao estar com Ana Lúcia e Dona Jovelina do Amaro Branco;
com Mestre Cústódio do Chuva de Prata; ao ir no Cruzeiro
do Forte encontrar Mestre Nico; são momentos inesquecíveis, deles
surgiram muitas músicas: COCO BAMBO,DONA DUDA e ZÉ DUDA do primeiro
CD, e agora no TERRA tem A ESTRELA, mas a força e a emoção que
sinto na presença dos mestres influencia de uma forma geral o
questionamento: cantar pra que? sinto que tem um encantamento, uma
função maior que me faz portadora desta canção, músicas que recebo
por inspiração como energia e as traduzo para a linguagem
musical dentro de minhas possibilidades, o mestre pra mim é um
canal que ilumina o mundo com seu cantar, merece todo o respeito, a
maioria morre sem o reconhecimento e em condições de difícil
sobrevivência, eles também tem as suas provas, mas ouví-los cantar
e mover o brinquedo é uma graça, um presente, ter a oportunidade de
conviver e aprender com eles é uma benção, por isso saúdo os
mestres, o povo que canta, que vive a arte na vida, na terra, com
os filhos, os visinhos, festejando a
vida, estando em movimento.
Agora falam um pouco
os que participaram mais a frente no Cd, meus amigos Fernando
Neder, André Cunha, Joás Santos, Repolho e Juliana
Manhães.
Entrevistas
Reppolho
“Participar do cd da Ana Diniz foi muito prazeroso
por ser um trabalho musical, criativo, e autêntico,
proporcionando-me boas inspirações pela qualidade das composições.
O seu trabalho musical tem a prioridade de valorizar e preservar a
nossa cultura nordestina de maneira moderna e orgânica traduzida
para uma linguagem urbana através do seu canto em harmonia com
ritmos tradicionais do nordeste.
O encontro
com a música da Ana aconteceu depois de ouvi-la em seu cd cocos,
cirandas e canções e durante a uma das suas apresentações em Recife
no carnaval de 2008. No Rio de Janeiro tive o prazer de conhecê-la
pessoalmente e ser convidado para participar desse seu novo cd
concretizando a nossa amizade e a minha
admiração.”
Reppolho é
percussionista, compositor, pesquisador, produtor e arranjador
pernambucano. Nascido em Recife chegou ao Rio de Janeiro em 1979
para tocar Johnny Alf, trazendo na bagagem uma nova linguagem para
percussão brasileira.
Através da
sua expressão cênica de palco apresentada de maneira visceral,
traduz para um dialeto urbano toda força e tradição dos tambores
como forma de expressão e valorização da nossa cultura
afro-descendente, que caminha junto à
tecnologia.
Músico de expressão no Brasil e
no exterior, conhecido por acompanhar nomes consagrados da nossa
MPB como: Johnny Alf, Gilberto Gil (por 7 anos), Gal Costa, Milton
Nascimento, Nana Caymmi, Paulo Moura, João Bosco, Carmem Costa,
Wanderléia, As Frenéticas, Zezé Gonzaga, Blitz, Jorge Mautner, Tim
Maia, Elza Soares, Pepeu Gomes, Baby do Brasil, Elba Ramalho (5
anos) e Deborah Blando, sua parceira na música
“Unicamente”, tema da novela “A Indomada (Rede
Globo 1998).
Atualmente trabalha há
12 anos com Moraes Moreira.www.myspace.com/reppolho
“a base das minhas
pesquisas que começaram durante o ano 1980 nas minhas andanças
acompanhando Gilberto Gil pela África, Oriente Médio e América
Central. E durante a minha passagem por esses países fui observando
ritmos e instrumentos que se se assemelham com os nossos. Foi aí
que comecei a conhecer ritmos e instrumentos que deram origem aos
nossos. A partir daí tenho me dedicado aprofundar mais meu
conhecimento através da leitura, lendo o livro "Música de
Feitiçaria” do mestre Mário de Andrade o primeiro a desvendar
o nosso folclore na década de 20, "Música Popular Brasileira"
Oneyda Alavarenga (1950) a maior autoridade na música folclórica,
"Maracatus do Recife" Guerra Peixe e atualmente estou lendo o livro
"Cultura Popular Brasileira" (1973) de Alceu Maynard Araújo da
Academia Paulista de letras. Essa pesquisa que nasceu dentro dessa
minha vivência de 35 anos de estrada, está sendo registrada em um
pequeno dicionário sobre instrumentos de percussão com cem
instrumentos para serem distribuído durante os meus workshop's nas
escolas Municipais e Estaduais. Fazendo com que essa nova geração
tenha conhecimento do valor etnógrafo desses instrumentos na nossa
cultura, mantendo-os vivos em harmonia com a
tecnologia.”
Joás
Santos
“Minha
participação foi uma experiência muito importante e
gratificante.
Desde as minhas primeiras
parcerias com Ana Diniz nos palcos me senti muito
seguro.
No estúdio sempre muito à-vontade
pra combinarmos os arranjos.
Temos idéias parecidas e muita
afinidade nesta linguagem que e a música Pernambucana mais com
outras influências do Mundo.
Além disso a sua música trás
tranqüilidade, alegria e uma mensagem importante pra os dias de
hoje.
Estou muito feliz em estar
fazendo parte deste trabalho!”
Joás Santos é percussionista e
luthier, nasceu em Recife, onde através da capoeira e do samba,
conheceu a percussão. Regeu o bloco afro Resistência Negra durante 10
anos em Paulista - PE. E em Olinda fundou a banda Dum Dum Batá. Tocou com:
Tonami Dub,
Andrew Tosh,
Monte Zion,
Roberto Isaias de
Angola, Brasáfrica, Coco de Umbigada, Coco de Corda e com os grandes
mestres do coco, como Ana
Lúcia e Mestre
Ferrugem. Tocou também com o Maracatu Reciclando
em Folia. No Rio
de Janeiro gravou com o grupo Digital Dubs, o álbum
“Brasil Riddins”. Gravou também com a banda
Cidade Negra, com
Ras Bernardo,
Dubkasm da
Inglaterra, Monte
Zion, Dubterian da Alemanha,
Brasáfrica,
Positividade,
Jahstafari, entre
outros. Fez turnê com: Pato Banton, Monte Zion, QG Imperial, Digital Dubs, Ras Bernardo. Dá aulas de
percussão. Como pesquisador de tambores africanos, Joás Santos
desenvolveu trabalhos como luthier, confeccionando seus próprios
instrumentos, reaproveitando materiais como PVC, placas de raios-X,
polietileno, garrafa pet, latas e outros.
“Este é de um
trabalho rico e conquistador que sempre esta crescendo.
Com tanto talento e originalidade
que cada vez mais está se enraizando no espaço da música
Brasileira. Meu caminho musical é sempre em busca de conhecimentos
e novas influências e o encontro com a Ana Diniz foi e sempre vai
ser especial porque nós nos entendemos muito bem musicalmente.
Temos tantas idéias parecidas que imagino que é só o
começo.”
André
Cunha
“Conheci Ana Diniz
pelas ruas de Santa Teresa, onde moro. Ao apresentar-me com
violinista, seus grandes olhos verdes brilharam. Pouco tempo depois
me somei a outros dois percussionistas para o show de lançamento de
seu primeiro disco na Gávea. Foi o meu primeiro trabalho como
rabequeiro. Inesquecível. Contaminei-me com suas cirandas, cocos e
maracatus sem antídoto. Caí de amores por Pernambuco. Depois disso
a gravação do seu segundo cd. Ela mesma cantarolava os arranjos que
ia criando enquanto eu transcrevia encantado. Ana é cantora de rara
sensibilidade, flor brotada na raiz da música brasileira. Sem os
vícios dos conservatórios, ela tem o pé na tradição e a cabeça na
contemporaneidade. Para Ana, borboleta é música que
voa.”
Fernando
Neder
“Minha
participação no cd foi TOTAL
O trabalho musical é
ÚNICO! PÓS MODERNO DE RAIZ!”
“MEU CAMINHO
MUSICAL É ORGÂNICO, O ENCONTRO COM A MÚSICA DE ANA DINIZ É FÁCIL E
PRAZEIROSO, AINDA QUE POR VEZES COMPLEXO”.
Juliana Manhães
“Estar
presente no cd de Ana Diniz me fez sentir brincante no seu sentido
mais puro do termo, pois pude tocar os instrumentos do boi da
baixada, sotaque que há dez anos vivencio no Boi da Floresta,
brincando de cazumba mascarado. O que achei mais empolgante foi o
fato da Ana me permitir fluir no toque trazendo o espírito da
brincadeira, e a partir dessa percussão ela foi inserindo sua bela
voz.
Conheci Ana
Diniz na cidade do Rio de Janeiro em brincadeira na rua e
rapidamente ela veio participar de uma oficina de dança, com seus
conhecimentos de Pernambuco, e eu adorei sua maneira de trazer a
tradição e sua experiência para o ensino.
Tenho
certeza que esses cantos e toques deste novo cd estão traduzindo
suas memórias e vivências com a cultura
popular.
E que esse
som nos embale para muita dança e alegria, porque Ana sabe de
maneira orgânica e viva proporcionar esse espírito festivo da nossa
diversidade brasileira!”
Gravado
e editado no estúdio orgânico, maio,2010.
Produção
Ana Diniz e Amigos.
Gratidão.